ONG ajuda a transformar canteiros de construções em ateliês – Fireman & Peixoto

No meio de uma construção de prédios de 250 mil metros quadrados na Pompeia, zona oeste, um ateliê promove oficinas socioculturais para operários durante o expediente. O trabalho é realizado pela ONG Mestres da Obra em parceria com construtoras em diversas cidades do Brasil.

Antes de colocar as mãos às obras, eles leem e debatem sobre desenvolvimento urbano e sustentabilidade. “O objetivo é humanizar o ambiente de trabalho”, explicou a diretora executiva do projeto, Ângela Pugliese, 51 anos. “Além da oportunidade de quebrar a rotina, as oficinas oferecem uma melhoria da qualidade de vida na construção”, disse.

Logo na entrada do ateliê, um mapa cheio de nomes indica a cidade natal de cada um dos operários, a maioria vinda do Nordeste. Para o professor Dimas Volpato, 29 anos, o resgate das origens é importante para o desenvolvimento de seus alunos. “Os funcionários são muito criativos e cheios de cultura”, contou.

O trabalho da ONG não fica restrito apenas ao espaço do ateliê. Além de as criações serem expostas ao longo do canteiro de obras, os operários recebem apresentações de músicos ou peças de teatro e fazem visitas a museus e teatros.

O operário José Olívio da Silva, 52 anos, é presença confirmada em todas as oficinas e leva suas criações para mostrar para a família. “É importante para mim. Eu nunca tinha pintado, e acabou virando algo bom para minha profissão”, disse.

Para o também operário Walter Pires, 24 anos, as oficinas aumentam a produtividade na obra. “A pausa deixa o trabalho menos cansativo”, afirmou.